Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por Definir

Por Definir

16
Mai19

Becoming - A Minha História

Já o li há mais de um mês mas sorrio sempre que ouço o seu título. "Becoming" de Michelle Obama foi um dos melhores livros que li este ano. Este ano e em toda a minha vida. Não me recordo se já tinha lido alguma biografia antes mas tenho a certeza que este género me conquistou. 

O que mais me impressiona é o percurso evolutivo de Michelle. Viveu numa casa modesta até que atingiu a maioridade e ingressou na faculdade. Desde essa altura que, com esforço e dedicação, tem vindo persistentemente a crescer na sua vida profissional. Esta senhora é a prova viva que nada acontece por acaso e que nada cai do céu. Sempre me foi dito que se não se trabalhar arduamente, nunca se terá uma vida confortável. Por ter plena consciência da sua veracidade, não tenho feito outra coisa se não dar o meu melhor em tudo o que faço. 

Este livro apareceu na altura certa da minha vida. Com a minha atual procura de trabalho, passo 12 horas em frente ao computador a enviar currículos e cartas de motivação. As respostas que obtenho são quase nenhumas e, ainda que me entristeça um bocadinho, sei que mais tarde ou mais cedo vou obter A resposta. Michelle Obama ensinou-me a olhar para a vida com outra perspetiva: a de que tudo é efémero. Os problemas de hoje, em princípio, já não o vão ser daqui a uns tempos. A preocupação é necessária na vida humana mas não vale a pena moer a cabeça por todo e qualquer assunto. 

Para além desta lição de vida, é agradável ler a escrita da autora que se revela fluente e acessível ainda que rica e precisa. Conhecer os procedimentos que estão por trás de qualquer movimentação na Casa Branca leva-nos a valorizar a nossa liberdade mas também, creio eu, a admirar a família Obama como nunca a tínhamos antes. 

13
Mai19

Londres - o incrível, o mau e o terrível

Devido aos preços baixos das companhias low-cost, Londres é um dos destinos de eleição dos portugueses para escapadinhas ou mini-férias. A menos de 3 horas de avião, a capital de Inglaterra é uma cidade cosmopolita que mistura diferentes culturas sem nunca perder a sua. 

Esta é uma das melhores qualidades de Londres: a sua cultura evidente. Ainda que pareça que o número de emigrantes e londrinos seja o mesmo, é fácil distingui-los dos demais. O sotaque denuncia-os e é o que, inexplicavelmente, me conforta. Sempre que ouço o sotaque britânico, sinto-me imediatamente em casa quase como se estivesse a beber uma chávena de chá com um livro no regaço junto a uma lareira. Conforto e calma é o que me é transmitido. A vontade de me misturar na cidade e passar por nativa esteve constantemente presente enquanto percorria as suas ruas e ruelas. 

A arquitetura maravilhou-me na sua plenitude. A minha paixão por casas e edifícios de pedra cresceu quando vivi em Praga, na República Checa. O seu lado rústico e elegante dançam numa harmonia enaltecida pelo casamento entre a antiguidade e a modernidade. As muitas cores nos bairros de Londres completam esta harmonia. Os táxis antigos e os autocarros vermelhos dão um charme único a Londres. Mais uma vez, misturam o passado e o presente na perfeição. É sem dúvida um ambiente acolhedor que se torna evidente com a instabilidade meteorológica. A chuva concede um clima ainda mais aconchegante para os amantes de chuva já que os demais a amaldiçoam. 

Relativamente à gastronomia e como tinha um budget apertado, não tenho poder para opinar. Posso sim elevar a cadeia de restaurantes/pastelarias/padarias/supermercados "Pret A Manger". Para além de saladas e sandes frias tem também refeições quentes para todos os gostos como sopa, massas ou lasanha. Há também sobremesas e snacks para levar ou comer no interior, como se preferir. Para além de rápida, a comida é feita com ingredientes naturais e orgânicos sendo por isso saudável. Aconselho vivamente a experimentarem, vale a pena!

Do aeroporto para o local onde estávamos hospedados utilizámos o autocarro e o metro: má ideia. O autocarro atrasou-se uma hora e cada bilhete de metro custou mais de 5€, não compensando de forma alguma utilizar este ou outros transportes públicos dentro de Londres (creio que é preferível o combio do aeroporto para a cidade). Uma vez que Londres está dividida por áreas e cada área tem diferentes pontos de interesse, é mais prático encontrar alojamento no centro para se conseguir visitar tudo a pé mas também é mais caro. 

O pior foram mesmo as multidões que existiam a cada esquina. Creio que a maior parte seriam turistas que nos davam encontrões, impediam a passagem ou que nos bloqueavam o campo de visão. Nas entradas das atrações turísticas há filas infinitas o que acaba por se traduzir em tempo perdido mas há algumas que valem a pena como a Galeria Nacional ou o Museu da História Nacional. A cidade também está muito direccionada para o comércio. Tudo são lojas e lojinhas com o intuito de nos extrair dinheiro e os preços estão quase sempre inflacionados. As ruas que gostei menos foram aquelas que mais lojas tinham. 

Visto o panorama geral, foi uma cidade que me agradou muito mas que não me fez sentir vontade de voltar. Penso que teria gostado mais de visitar uma cidade mais pequena em Inglaterra ou uma vila onde a cultura estivesse ainda mais acentuada.

Deixo algumas fotografias tiradas por mim. 

59919700_906689619662483_6928282745281970176_n.jpg

59992749_443907656413336_4364622538735616000_n.jpg

60050182_2536891836537663_8077029558856974336_n.jp

60086912_405019277018429_4589548623112437760_n.jpg

60200283_2385012945065039_1052833897433268224_n.jp

60340661_2337023909952396_2193722857886842880_n.jp

29
Abr19

Habilidades requeridas: ser perfeito

Com o mestrado na reta final, decidi começar a procurar ativamente emprego. Depressa percebi que para receber uma quantia suficiente para sobreviver autonomamente, necessito de uns quantos anos de experiência: coisa que não tenho, naturalmente. Optei por enveredar pelos estágios profissionais remunerados (idealmente) ou não-remunerados. 

No decurso da minha incansável pesquisa deparei-me com situações pouco agradáveis e até frustrantes. Para a posição de interno (INTERNO!), a maior parte das empresas ou organizações requerem uma série de qualidades, entre elas: vontade de aprender; capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo (multitasking); excelente capacidade de trabalhar em equipa; capacidade de trabalhar autónoma e individualmente; excelentes técnicas de comunicação e organização; capacidade de trabalhar sobre pressão; capacidade de integração; fluência em inglês; fluência noutra língua qualquer; notável atenção para o detalhe; excelente capacidade de gerir o tempo; excelente postura; excelente dedo mindinho; excelente em tudo-e-mais-alguma-coisa-que-possa-estar-indireta-ou-diretamente-relacionado-com-o-trabalho.

É compreensível que os empregadores queiram recém licenciados ou mestres com excelentes habilidades mas talvez devessem perceber que não há pessoas perfeitas. Tenho a sensação de que, aquando da escrita do anúncio da vaga, eles têm um separador aberto com uma lista de todas as qualidades humanamente existentes e fazem copy paste para o anúncio.

Durante este fim-de-semana, apercebi-me que ter uma licenciatura, um quase mestrado, ter feito 3 estágios, ter tido experiências profissionais/académicas em 3 países diferentes e saber 2 línguas e meia é mediano menos. 

24
Abr19

O mar que nos une

Até há bem pouco tempo não compreendia as pessoas que consideravam o mar como calmante e pacífico. Aliás, considerava até cliché quando alguém se referia ao mar como o seu "porto de abrigo" mas tudo mudou quando fiz mergulho na Tailândia e senti o poder do mar. Agora, faço parte do grupo imensurável de gente que se sente em paz perto dele e interesso-me por tudo o que o envolva. 

Enquanto consultava a revista Visão fiquei a conhecer a exposição "O mar que nos une" promovida pela GALP Portugal em parceria com a revista. Estará aberta ao público de 27 de abril a 19 de maio no Príncipe Real e lamento não conseguir visitá-la. Se não vos for possível conhecê-la, visualizem mais fotografias aqui. Deixo as minhas preferidas. 

23
Abr19

Se esta rua falasse

"Se esta rua falasse" de James Baldwin descreve na perfeição a dificuldade da integração dos negros na sociedade americana. A injustiça e o julgamento estão retratados na história que decorre nos anos 70 levando o leitor a menosprezar a discriminação e o estereótipo. Vi o egoísmo e o bem-estar individual a sobreporem-se à justiça. Vi o amor pela família a falar mais alto e a ser, sempre, o mais importante em situações de crise. Vi pessoas serem tramadas por causa da sua cor de pele.

Ainda que tenha noção da existência de injustiças pelo mundo, colocar-me na pele de alguém que já as sofreu traz outra dimensão à minha consciência. Olho para as coisa de outra forma, julgo as situações sem acusações e com discernimento. Este livro altera a nossa consciência e torna-a mais límpida e pura. É uma boa leitura.

57439867_448479662360994_8869112225063763968_n.jpg

 

18
Abr19

Eliete

Este não foi um livro que me tenha conquistado particularmente.

Foi o primeiro que li de Dulce Maria Cardoso e, ainda que tenha curiosidade em ler outros títulos, dispenso temas semelhantes. "Eliete" fala sobre uma mulher como tantas outras com as suas inseguranças, com o seu orgulho, a sua tristeza e a sua felicidades em pequenos apontamentos do quotidiano. Toda a obra gira à volta de Eliete, dos que a rodeiam e do vício desconcertante que podem ser as redes sociais. Identifiquei estranheza nos acontecimentos reais relatados no livro como a conquista de Portugal no Campeonato Europeu de Futembol em 2016. Normalmente, os únicos acontecimentos reais e detalhados nos livros são referentes a guerras. Considerei um pouco "desencaixado".

Gosto da escrita simples mas precisa que nos transporta imediatamente para o cenário onde tudo se desenrola. Não me agradou a personagem principal em si, desenvolvi sentimentos muito contraditórios por ela e fiquei, por vezes, negativamente ansiosa, o que prejudicou a leitura agradável do livro. Fiquei com a ideia de que a história não desenvolveu. Inicialmente, fiquei curiosa e com vontade de ler mais mas logo percebi que não havia mais: era só aquilo. Não recomendo. 

16
Abr19

A loucura da informação

Hoje em dia é comum cair no exagero uma vez que somos uma geração que têm tudo à farta. Temos muita comida, logo, comemos muito e, como consequência, ficamos gordos. Descobrimos objetos que simplificam o nosso dia, logo, compramos muito. Consequência: prejudicamos o planeta e a nossa saúde mental. Temos Internet ilimitada, logo, consumimos muito. Consequência? Dependência de telemóveis, tablets, computadores e afins. Temos tudo em demasia. Demasiadas roupas, demasiados objetos, demasiadas distrações, demasiadas coisas no geral. E como diz o velho ditado, "tudo o que é demais faz mal". Todos estes excessos me preocupam de verdade mas há um que me chateia particularmente: o excesso de informação.  

Antigamente, o acesso à informação era escasso e foi evoluindo gradualmente mas a informação era controlada e limitada. Ainda que tivesse os seus contras, as pessoas não ficavam exaustas. Hoje em dia o processo é o oposto: descontrolado e ilimitado. O constante bombardeamento de informação desnecessária ou contraditória de que somos alvos é assustador. Perco-me facilmente por títulos aliciantes ou páginas que se revelam duvidosas ou dispensáveis e quando dou por mim tenho dúzias de separadores abertos.

A publicidade também está muito presente neste meu incómodo. Chateia-me aceder a uma página com o intuito de ficar a par das notícias e, acidentalmente, abrir outra originária de uma publicidade. Ou visualizar um vídeo sem antes assistir a um reclame. Por esta razão, ausento-me cada vez mais da Internet e das tecnologias. Não vejo televisão, restrinjo as redes sociais, utilizo pouco o telemóvel para fins de lazer. O que é que eu faço? Leio, escrevo, falo com as pessoas em 4D e faço malha ao serão. Talvez não tenha nascido na década de 90 como os meus pais alegam.

08
Abr19

Estar vivo aleija

Tal como previra, Ricardo Araújo Pereira não desilude. Atualmente participa no "Governo Sombra" e nas "Manhãs da Comercial" e ainda apresenta o "Gente que não sabe estar" aos domingos à noite. Para além de rádio e televisão, escreve ainda, semanalmente, crónicas para a revista "Visão" e "Folha de São Paulo". É destas últimas crónicas que o livro é composto. 

O livro é uma compilação de crónicas que o autor escreveu para o jornal brasileiro que junta o humor, a inteligência e o sentido de oportunidade. Estão referidos os temas mais mundanos com os quais nos deparamos diariamente. O autor debruça-se sobre um qualquer assunto com um brilhantismo de invejar. Se lhe pedirem para escrever sobre uma parede branca, aposto que seria um texto tão cómico como um a falar de política. Um dia quero ter a sua imaginação e a sua harmonia na escrita. 

Vivamente recomendável, como não poderia deixar de ser. 

04
Abr19

Um par de bofetadas, mas só um

Quando vivi na Ásia, no último quadrimestre do ano passado, conheci mais pessoas de Brunei do que de um outro país qualquer. A sua população não chega a meio milhão de habitantes e o país localiza-se junto à Malásia e Indonésia. Todos os estudantes que conheci provenientes deste país eram muçulmanos. Ignorância minha, não fazia ideia que haviam tantos muçulmanos no Sudeste Asiático e nem conhecia muito bem a religião até os conhecer a eles. 

Fiquei fascinada com o Islamismo, questionando diariamente os pobres coitados que já estavam fartos da minha surpresa e entusiasmo constante por cada coisa que ouvia. Houve uma altura que a considerei uma religião muito nobre até que comecei a explorar a parte relacionada com a igualdade e direitos humanos. Compreendi que por muitos costumes notáveis e respeitáveis que tenha, falha enormemente nesta esfera. 

Sabia que os homossexuais eram discriminados mas não sabia que era punível com pena de morte. Não só em Brunei mas também na Arábia Saudita, no Irão ou no Sudão a comunidade LGBTI não tem qualquer liberdade ou paz. Recentemente foi noticiado a implementação de "apedrejamento até à morte para casos de adultério e de sexo entre gays" (notícia doPúblico) em Brunei

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, qualquer pessoa que concorde com esta medida é cruel. Não podia concordar mais. Na Sharia (lei religiosa que faz parte da tradição do Islão), esta pena é considerada extremamente rígida e conservadora, havendo cada vez menos países a aderirem a tais barbaridades. Desde quando é que é 'ok' pôr em causa a integridade física ou psicológica do outro? Desde quando é que se devem castigar pessoas com gostos e opiniões diferentes das nossas? Desde quando?

É importante mencionar que todas as religiões, todos os partidos políticos, todas pessoas e todas as coisas têm aspetos positivos e negativos na sua essência. É necessário aceitar ou, pelo menos, respeitar as opiniões tão divergentes com que nos deparamos diariamente desde que se tenha em conta algumas coisas básicas como

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. 

Sou a favor de alguém chegar ao pé do sultão e de lhe dar um par de bofetadas. Mas só um, para não ser considerado tortura. 

Nota

Todas as imagens aqui publicadas são do Pinterest, excepto se existirem indicações contrárias.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D