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Por Definir

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04
Dez18

Leveza

Durante a minha semana no norte do Vietname conheci uma rapariga portuguesa da minha idade. Impressionou-me muito. Com uma licenciatura completa, decidiu trabalhar um ano num restaurante com apenas uma folga por mês. Conseguiu poupar dinheiro suficiente para passar 4 meses na Ásia, só a viajar. Tem uma mochila com um número muito limitado de itens e diz que é suficiente. É uma pessoa despreocupada mas responsável. Pouca coisa a apoquenta. Está de bem com a vida, é feliz e agradece por tudo o que tem. Senti-lhe a leveza. A sua energia acalma os mais inquietos. Dá vontade de adotar o seu modo de estar com a vida. Deixou a sua marca. Obrigada, Julieta.

03
Dez18

De mochila às costas

Viajar com uma mochila às costas é aliciante pelo seu lado prático, fácil e enriquecedor. Contudo, a vida de mochileiro nem sempre é agradável: fazer e desfazer a mala a cada semana torna-se exaustivo. Dormir constantemente em camas diferentes e não saber o que esperar no dia seguinte torna impossível a existência de uma rotina. Viajar é bom. É muito bom mas... até que ponto?

Dos viajantes que conheci, a maioria não se importava de não ter uma rotina. Não têm saudades de casa e, se pudessem, passariam a vida a saltar de cidade em cidade, de país em país. A outra parte diz sentir falta do conforto da sua casa e reconheceram que viajar é prazeroso quando não em demasiado e há alturas em que sentem muita vontade de voltar. Quando essa vontade se intensifica, voltam. Voltam porque são espíritos livres e são guiados por vontades.  

02
Dez18

Deixem as pessoas que gostam do inverno em paz

Gosto honestamente do inverno mas sinto-me uma incompreendida. Discordo de quem acha que um dia nublado e de chuva é um dia feio. Já me acusaram de discordar apenas para ser do contra e chateei-me. Não tenho vagar para ser do contra.

Imagino que a felicidade que sinto quando acordo e me deparo com um dia destes seja parecida à felicidade que a maioria das pessoas sente quando vive um dia de sol e calor. Pois eu inspiro-me e motivo-me com dias escuros. Não os acho depressivos nem tristes, muito pelo contrário. Se oiço a chuva no telhado de manhã cedo, salto da cama para ver o meu fenómeno natural preferido.  

Aquece-me o coração vestir roupas quentes e beber o meu tão amado café com leite. Ler um livro em frente à lareira com uma chávena de chá à tardinha quando começa a escurecer também é dos meus programas preferidos.

Quando digo isto, normalmente, tentam desfazer os meus argumentos dizendo: “pois, em casa também eu gosto de estar mas e sair para a rua com chuva? Gostas? Gostas?? Gostas???”. Pois gosto! E não me importo de me molhar e sim, também gosto de sentir o frio que enregela os ossos. E não me importo de andar na rua com o dia escuro quase a parecer noite. E não me importo de conduzir de noite nem trabalhar de noite. Gosto, genuinamente do inverno e tudo o que ele acarreta.

Agora deixem de dizer que as pessoas que gostam do inverno são parvas porque eu detesto o calor e não acho que os que gostam sejam parvos. São só... totós.

01
Dez18

O tempo frio

Acorda-se cedo com a neblina que a madrugada deixou. As gotas de orvalho são visíveis nas plantas rasteiras e nas folhas das árvores. As galinhas, ainda meio adormecidas, debicam o solo verdejante enquanto aquecem os seus rebentos debaixo das asas que crescem para os aninhar. O cantar do galo ouve-se ao longe e, aqui e ali, escuta-se o arrulhar das rolas que acabaram de acordar. O silêncio do Alentejo é apenas cortado pelos sons da Natureza que o acalentam.

As luzes acendem aos poucos nas casas alentejanas. O fumo nas chaminés denuncia as lareiras acesas que aquecem os mais friorentos e que fornecem o calor necessário para se fazer café preto e torrar o pão que se unta com manteiga ou banha, conforme a preferência. Depois de alimentar os animais, fazem-se as lides domésticas, varre-se a rua cheia de galhos e folhas que o vento trouxe durante a noite e barafusta-se com a vizinha sobre o tempo que não deixa enxugar a roupa. 

Soa a buzina do homem do pão e, depois de alcançar o talego em casa, compra-se um pão de quilo e costas da massa do pão para comer com o café ao lanche. O almoço prepara-se de manhã para ficar pronto ao meio-dia. Um cozido de couve com carne de porco e uma chouriça para dar sabor. A chuva chega, finalmente, e até que sejam horas de beber o café com leite da tarde, põem-se à lareira recordando os velhos tempos e reclamando com o rumo que o mundo está a tomar. A lenha não chega até à noite e, debaixo de chuviscos, vai-se buscar mais ao manturo. 

Os dias passam devagar e, conscientes do tempo, aconchegam a alma entre cafés fumegantes e tardes à lareira onde o azinho crepita sem pressa. 

Nota

Todas as imagens aqui publicadas são do Pinterest, excepto se existirem indicações contrárias.

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