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Por Definir

Por Definir

02
Abr19

Para abril

Nos últimos dias de março fui à biblioteca requisitar aquelas que, idealmente, serão as leituras da primeira quinzena de abril. Na impossibilidade de ler tanto, serão as leitura do mês todo. Trouxe 6 títulos comigo que já andavam na minha lista há demasiadas semanas:

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Ricardo Araújo Pereira nunca desilude e sei exatamente o que esperar do livro, não tenho as expectativas altas nem baixas, aliás, não tenho expectativas nenhumas - já sei que vai ser incrível, como sempre. Nunca li James Baldwin mas pelas críticas, tenho-o em muito boa conta e espero que vá para a lista de melhores leituras de 2019. Também "Pão de açúcar" de Afonso Reis Cabral tem potencial para ocupar o topo da tabela de "Grandes Leituras" (tabela esta que apenas existe na minha mente). Tenho ideia de ter iniciado a leitura de "Também as baleias voam" de Afonso Cruz mas abandonei-a por uma razão qualquer. Vou tentar ler "Pão de açúcar" obra do autor de que tanto ouvi bem falar. Dulce Maria Cardoso é uma autora nova no meu reportório e escolhi a sua obra por ser recente e muito elogiada se bem que as minhas expectativas não estão altas. Depois da leitura ávida de "Perguntem a Sarah Gross", peguei noutra obra de João Pinto Coelho do qual não espero nada inferior ao livro que já li. 

Abril promete. Boas leituras!

26
Mar19

Lolita

Recentemente, o meu interesse por clássicos despertou e apostei em "Lolita" de Vladimir Nabokob.

Sabia que era um livro com opiniões divergentes devido ao seu conteúdo controverso e, desempenhando um papel importante no filme "A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata" do qual gostei particularmente, decidi conhecer a sua história.

A obra desenvolve-se à volta da paixão e do desejo intenso que Humbert desenvolve por uma criança de 11 anos, Lolita (nome carinhoso pelo qual a chama). Os episódios descritos ora expõe a tentação que a pequena representa para Humbert, uma vez que este não lhe pode tocar da forma como quer, ora, já em capítulos posteriores, dão a conhecer o prazer que Humbert sente sempre que Lolita se aproxima e se encosta a ele. 

O livro é descrito como uma das mais belas obras de literatura do século XX. Muitos o designam de novela erótica, outros preferem associá-lo aos romances. Eu diria que se insere nos dois géneros. De qualquer das formas, não gostei do livro. Diria até que, exceptuando parágrafos que descrevem o contacto físico dos dois, a história é aborrecida e a escrita também. Não considero que a linguagem seja fácil e acessível. Considero-o um livro difícil que exige concentração. Por vezes, dei por mim a reler frases porque desconhecia algumas palavras. Aborreci-me tanto que, quase a chegar ao fim, abandonei a leitura. 

15
Ago18

O livro dos Baltimore

Há muito tempo que queria ler Joël Dicker. Tinha ideia que era um excelente escritor e que os seus livros tinham tido muito sucesso. Não sei bem qual foi a base para estas suposições uma vez que não me lembro de ler críticas acerca dele e das suas obras. De qualquer forma, pesquisei depois de terminar "O livro dos Baltimore". 

Após uma breve pesquisa, concluí que este não é o melhor livro de Joël Dicker. As críticas feitas a outras obras do autor são melhores e mais esfuziantes. De qualquer forma, continuam a gostar deste livro mas dizendo que não é, de todo, a melhor criação de Joël Dicker. 

Posso dizer que preferi a 1ª metade do livro à 2ª. Várias emoções passaram por mim ao longo das páginas que devorava avidamente. Ri, quase chorei e abri a boca de espanto. Não me lembro da última vez que um livro me transmitiu tais sentimentos. Senti-me envolvida na história, senti que conhecia todas as personagens e partilhei dos seus sentimentos.

É, inquestionavelmente, uma narrativa que nos prende e que nos cativa. Daqueles livros que não queremos parar de ler e que nos deixa muito ansiosos pelo seu desfecho. A analepse e a prolepse são constantes ao longo do livro. Ainda que os capítulos estejam bem definidos e devidamente datados, por vezes perdia-me no tempo histórico mas recuperava imediatamente quando iniciava o capítulo. 

Não é magnífico mas dá-nos vida e aquece-nos o coração. Mais uma vez, recomendo a sua leitura. Os outros títulos do autor estão na minha To Read List. 

12
Ago18

Tu não és como as outras mães

Quando vi este livro na biblioteca achei imediatamente que seria uma boa aposta. Contudo, por ser muito extenso fiquei um bocadinho na dúvida. Decidi trazê-lo, pelo sim, pelo não. 

Não me arrependi. É um livro que se lê bem, com uma linguagem corrente embora seja, por vezes, mais complexa, adequando-se às personagens. É contada na 1ª pessoa mas também na 3ª. Angelika é filha de Else e dá-nos a conhecer a sua história e a da mãe. A narrativa é passada entre os anos 20 e o final da 2ª Guerra Mundial, no final dos anos 40. 

Mais do que um livro sobre História, "Tu não és como as outras mães" dá-nos a conhecer a perspetiva de uma jovem mãe perante si mesma e pelos filhos quando a sua Alemanha está em constante mudança. O título não podia ser mais adequado. O papel de mãe é o mais evidenciado e sobre o qual a história gira. 
Não quero estender-me muito mais, é um livro que aconselho para os interessados em conhecer diferentes ângulos deste conflito militar. 
08
Ago18

O Paraíso segundo Lars D.

Li o primeiro ("O luto de Elias Gro") e o terceiro livro ("O deslumbre de Cecilia Fluss") da trilogia d'Os lugares sem nome de João Tordo. Só depois de ler o último me apercebi que me faltava o do meio, o mais pequeno mas igualmente extasiante. Fui requisita-lo à biblioteca e li-o de uma ponta à outra num instante. Mais uma vez, o autor não desilude e as suas histórias captam o leitor da melhor forma possível. Já aqui tinha dito que era um dos meus escritores portugueses preferidos e mantenho a minha opinião. 

Todas as três histórias se interligam e relacionam numa harmonia desconcertante. Falam de solidão mas o autor não deixa o livro pesado nem negro. Dá-nos uma perspetiva diferente da solidão, a parte boa se quisermos. É evidente que mais do que o próprio solitário, os que o rodeiam preocupam-se mais, sofrem mais. Deixam-se de julgar as pessoas e entra-se num novo mundo de compreensão sobre os sentimentos do outro e de nós mesmos. É um livro íntimo, este. Os outros são igualmente intensos e emotivos. Não posso deixar de recomendar. 

05
Ago18

O deslumbre de Cecilia Fluss

"O deslumbre de Cecilia Fluss" de João Tordo é o último de uma trilogia que eu não sabia existir. Contudo, já tinha lido o primeiro volume intitulado de "O luto de Elias Gro" e tinha ficado encantada com o autor. Tenho ideia de ter lido o segundo livro: "O paraíso segundo Lars D.". Como não tenho bem a certeza e não me recordo da sua narrativa, decidi (re)lê-lo. 

Não me quero alongar muito sobre o livro nem sobre a sua história. Deixou-me a pensar na forma como os sentimentos nos dominam e que, muitas vezes, não nos apercebemos do que estamos a viver. Só mais tarde temos bem a noção de certas situações que na altura nos pareciam mais graves do que eram. Deixou-me a pensar na velhice e em como complicamos a vida. Na demência e na loucura. No lado bom da insensatez. 

João Tordo é um dos meus escritores preferidos devido à sua capacidade de captar os sentidos e de os direcionar, todos, para a sua escrita. É dos poucos autores que me faz ficar absorvida e concentrada durante horas. Aquela concentração que nos faz deixar de ouvir as outras pessoas à sua volta. É o que mais gosto nos seus livros: de imergir sem hora para voltar. 

31
Jul18

Ensaio sobre a Cegueira

Tenho uma relação de amor-ódio com Saramago. Ora adoro os seus livros, ora os acho aborrecidos e enfadonhos. "O Ensaio sobre a Cegueira" insere-se nestes últimos. Sei que não é da escrita porque tem o mesmo estilo que os outros livros dos quais gostei por isso calculo que seja da história. Não me cativa, não me prende, não me diz nada. O que é bastante invulgar uma vez que este livro tem uma pontuação de mais de 4 estrelas. 

Parece que nem toda a gente gosta do mesmo...

27
Jul18

Das leituras

Nestes dias sem o meu computador para ver séries ou filmes, dediquei-me à leitura. Já tinha lido críticas muito positivas acerca deste livro e decidi requisita-lo na biblioteca municipal. 

Sinopse

"Em Hoje Estarás Comigo no Paraíso, Bruno Vieira Amaral, desenha uma investigação do assassínio do primo João Jorge - morto no bairro em que ambos viviam no início dos anos 80 - e usa essa investigação como estratégia de recuperação e construção da sua própria memória: a infância, a família, o bairro e as suas personagens, Angola antes da Independência e nos anos que se lhe seguiram, e a figura (ausente) do pai.

Na reconstituição da personalidade e do percurso da vítima, da noite em que tudo aconteceu, na apropriação que o narrador faz de uma ligação com João Jorge (mais ou menos forjada pelos mecanismo da memória) - e de que faz parte essa busca mais ampla das dobras do tempo e do esquecimento - são utilizados os mais diversos materiais: arquivos da imprensa da época, arquivos judiciais, testemunhos de amigos e familiares, e a literatura, propriamente dita - como uma possibilidade de verdade, sempre".

 

Confesso que não me conquistou. Ou porque tinha as expectativas altas ou porque não adorei a história ou porque o livro é muito pesado. Não é um livro simples e envolve muita concentração e perspicácia. Não é uma leitura corrida e fluida mas sim uma espécie de puzzle que o autor constrói indo buscar memórias quer das personagens quer dos sítios. O objetivo é compreender o assassínio do primo João Jorge que aconteceu há mais de 30 anos. 

Uma pesquisa aos arquivos que documentam a sua morte e também a consulta, junto das pessoas mais próximas do primo, das memórias que têm dele e do que conheciam da sua pessoa moldam a história. Durante este trabalho de investigação o autor procura construir a sua própria identidade ou relembra-la desde a infância até ao fim da juventude. 

É bastante percetível a escrita complexa e rica de Bruno Vieira Amaral mas também a intensidade que nela deposita. Contudo, a história não me cativou e tornou-se aborrecida e cansativa.

 

Nota

Todas as imagens aqui publicadas são do Pinterest, excepto se existirem indicações contrárias.

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