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Por Definir

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14
Jun19

A mulher que correu atrás do vento

João Tordo é o meu escritor português preferido e esta afeição intensifica-se cada vez mais conforme vou lendo os seus trabalhos. Confesso que o seu penúltimo livro "Ensina-me a voar sobre os telhados" não me cativou mas, ainda que não o tenha lido na sua totalidade, a qualidade da sua escrita é indiscutível. 

A capa d'A mulher que correu atrás do vento fascinou-me desde o primeiro momento mas, não querendo colocar as expectativas no topo, não lhe atribuí importância. Retirei-o da estante da biblioteca municipal assim que o vi na secção dos destaques antes que alguém o requisitasse primeiro.

A história gira à volta de 4 mulheres que existiram em diferentes tempos históricos. Todas elas têm algo em comum e todas elas são admiravelmente retratadas tal como todas as outras personagens sobre as quais o autor se debruçou. 

Sobre a escrita confirmo que se mantém genial, a descrição dos cenários é tão perfeita que nos transporta até eles, já para não falar da continuação dos temas taciturnos e profundos. Ainda que seja um livro denso e pouco fácil, a sua complexidade está bem equilibrada com a fluidez e a imponência das palavras de João Tordo. A dor e a falta de uma figura maternal estão presentes ao longo do livro e é absolutamente notável o enredamento que se vai construindo no desenvolver da história. 

Creio que este livro demarca de uma maneira muito clara e evidente a evolução do autor comparativamente às suas obras menos recentes. Tive a sensação que João Tordo desabrochou e atingiu o seu expoente máximo como escritor. E eu que pensava que já não era possível prosperar-se mais... Fico a aguardar, ansiosamente, pelo próximo. 

12
Jun19

Liberdade a ler

Sou uma daquelas pessoas que não faz desafios de leitura, que não participa em clubes de leitura nem faz uma lista no final do mês com os livros destinados a ler no mês seguinte (mas gostava tanto!). Não o faço simplesmente porque para além do meu estado de espírito mudar (vezes consideráveis) ao longo do mês, há muitos livros que começo a ler mas que não termino. Por estas razões, não me comprometo com nada nem com ninguém (apenas 'livrescamente' falando!).

Sei que para alguns é pecado mas a lista de livros que tenciono ler é demasiado extensa e tende a aumentar gradualmente a modos que não perco tempo a ler um livro que não gosto ou com o qual não sinto qualquer tipo de empatia. Por vezes, não significa que o livro não é bom mas simplesmente que o meu estado de espírito não é o melhor para a obra em questão.

Considero-me uma leitura impulsiva. Leio o que me cativa naquele momento e mudo as leituras consoante a minha vontade. E esta liberdade é uma característica muito própria de quem lê. A leitura de um livro é uma viagem no tempo e no espaço que nos faz sentir livres. Por que razão haveríamos de continuar numa viagem que não nos acalenta a alma? 

Esta é a minha justificação por não ter prosseguido a leitura d'O último cabalista de Lisboa de Richard Zimler. É uma obra com muitos pormenores e exige a concentração que, neste momento, não disponho. Creio que a dificuldade em me focar está relacionada com o excessivo uso de redes sociais mas isso já é conversa para outra altura. 

Por ser tão seletiva, há apenas dois livros aos quais atribuí uma estrela e um livro ao qual atribuí duas (no Goodreads): A Metamorfose, Lolita e Como é linda a puta da vida, respetivamente. Se bem me recordo, creio que não li até à última página os dois primeiros livros mas como li mais do que dois terços, achei que o meu tremendo esforço e a minha forte opinião mereciam ser públicos! 

E não, não acredito que "o livro começa a ser interessante a partir do meio". Refuto. Quando um livro é bom, é bom desde a primeira palavra! 

E vocês, já deixaram livros a meio ler? Digam que sim para não me sentir sozinha! 

06
Jun19

Até ao fim do mundo

Li algures que era um livro excelente, que se só lêssemos um livro no ano, teria que ser este. Por estas razões, a minha expectativa estava (mais uma vez) muito elevada. 

O livro já tem alguns anos: é de 2013. Nesse mesmo ano, a autora Maria Semple foi finalista do Women's Prize for Fiction com este mesmo livro. 

Nunca tinha lido nada da autora e confesso que foi um daqueles livros que se lê a correr. Ainda que a analepse e prolepse estejam presentes, é de fácil e acessível leitura deixando-nos absorvidos à história. Retrata a história de uma filha que não perde a esperança e de uma mãe que sendo extravagante, não é louca ao contrário do que todos imaginam. A obra contém algum humor e é uma leitura leve mas ainda assim, não compreendo o entusiasmo pela mesma. Não foi das minhas preferidas mas é, sem dúvida, uma leitura agradável.

16
Mai19

Becoming - A Minha História

Já o li há mais de um mês mas sorrio sempre que ouço o seu título. "Becoming" de Michelle Obama foi um dos melhores livros que li este ano. Este ano e em toda a minha vida. Não me recordo se já tinha lido alguma biografia antes mas tenho a certeza que este género me conquistou. 

O que mais me impressiona é o percurso evolutivo de Michelle. Viveu numa casa modesta até que atingiu a maioridade e ingressou na faculdade. Desde essa altura que, com esforço e dedicação, tem vindo persistentemente a crescer na sua vida profissional. Esta senhora é a prova viva que nada acontece por acaso e que nada cai do céu. Sempre me foi dito que se não se trabalhar arduamente, nunca se terá uma vida confortável. Por ter plena consciência da sua veracidade, não tenho feito outra coisa se não dar o meu melhor em tudo o que faço. 

Este livro apareceu na altura certa da minha vida. Com a minha atual procura de trabalho, passo 12 horas em frente ao computador a enviar currículos e cartas de motivação. As respostas que obtenho são quase nenhumas e, ainda que me entristeça um bocadinho, sei que mais tarde ou mais cedo vou obter A resposta. Michelle Obama ensinou-me a olhar para a vida com outra perspetiva: a de que tudo é efémero. Os problemas de hoje, em princípio, já não o vão ser daqui a uns tempos. A preocupação é necessária na vida humana mas não vale a pena moer a cabeça por todo e qualquer assunto. 

Para além desta lição de vida, é agradável ler a escrita da autora que se revela fluente e acessível ainda que rica e precisa. Conhecer os procedimentos que estão por trás de qualquer movimentação na Casa Branca leva-nos a valorizar a nossa liberdade mas também, creio eu, a admirar a família Obama como nunca a tínhamos antes. 

23
Abr19

Se esta rua falasse

"Se esta rua falasse" de James Baldwin descreve na perfeição a dificuldade da integração dos negros na sociedade americana. A injustiça e o julgamento estão retratados na história que decorre nos anos 70 levando o leitor a menosprezar a discriminação e o estereótipo. Vi o egoísmo e o bem-estar individual a sobreporem-se à justiça. Vi o amor pela família a falar mais alto e a ser, sempre, o mais importante em situações de crise. Vi pessoas serem tramadas por causa da sua cor de pele.

Ainda que tenha noção da existência de injustiças pelo mundo, colocar-me na pele de alguém que já as sofreu traz outra dimensão à minha consciência. Olho para as coisa de outra forma, julgo as situações sem acusações e com discernimento. Este livro altera a nossa consciência e torna-a mais límpida e pura. É uma boa leitura.

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18
Abr19

Eliete

Este não foi um livro que me tenha conquistado particularmente.

Foi o primeiro que li de Dulce Maria Cardoso e, ainda que tenha curiosidade em ler outros títulos, dispenso temas semelhantes. "Eliete" fala sobre uma mulher como tantas outras com as suas inseguranças, com o seu orgulho, a sua tristeza e a sua felicidades em pequenos apontamentos do quotidiano. Toda a obra gira à volta de Eliete, dos que a rodeiam e do vício desconcertante que podem ser as redes sociais. Identifiquei estranheza nos acontecimentos reais relatados no livro como a conquista de Portugal no Campeonato Europeu de Futembol em 2016. Normalmente, os únicos acontecimentos reais e detalhados nos livros são referentes a guerras. Considerei um pouco "desencaixado".

Gosto da escrita simples mas precisa que nos transporta imediatamente para o cenário onde tudo se desenrola. Não me agradou a personagem principal em si, desenvolvi sentimentos muito contraditórios por ela e fiquei, por vezes, negativamente ansiosa, o que prejudicou a leitura agradável do livro. Fiquei com a ideia de que a história não desenvolveu. Inicialmente, fiquei curiosa e com vontade de ler mais mas logo percebi que não havia mais: era só aquilo. Não recomendo. 

08
Abr19

Estar vivo aleija

Tal como previra, Ricardo Araújo Pereira não desilude. Atualmente participa no "Governo Sombra" e nas "Manhãs da Comercial" e ainda apresenta o "Gente que não sabe estar" aos domingos à noite. Para além de rádio e televisão, escreve ainda, semanalmente, crónicas para a revista "Visão" e "Folha de São Paulo". É destas últimas crónicas que o livro é composto. 

O livro é uma compilação de crónicas que o autor escreveu para o jornal brasileiro que junta o humor, a inteligência e o sentido de oportunidade. Estão referidos os temas mais mundanos com os quais nos deparamos diariamente. O autor debruça-se sobre um qualquer assunto com um brilhantismo de invejar. Se lhe pedirem para escrever sobre uma parede branca, aposto que seria um texto tão cómico como um a falar de política. Um dia quero ter a sua imaginação e a sua harmonia na escrita. 

Vivamente recomendável, como não poderia deixar de ser. 

02
Abr19

Para abril

Nos últimos dias de março fui à biblioteca requisitar aquelas que, idealmente, serão as leituras da primeira quinzena de abril. Na impossibilidade de ler tanto, serão as leitura do mês todo. Trouxe 6 títulos comigo que já andavam na minha lista há demasiadas semanas:

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Ricardo Araújo Pereira nunca desilude e sei exatamente o que esperar do livro, não tenho as expectativas altas nem baixas, aliás, não tenho expectativas nenhumas - já sei que vai ser incrível, como sempre. Nunca li James Baldwin mas pelas críticas, tenho-o em muito boa conta e espero que vá para a lista de melhores leituras de 2019. Também "Pão de açúcar" de Afonso Reis Cabral tem potencial para ocupar o topo da tabela de "Grandes Leituras" (tabela esta que apenas existe na minha mente). Tenho ideia de ter iniciado a leitura de "Também as baleias voam" de Afonso Cruz mas abandonei-a por uma razão qualquer. Vou tentar ler "Pão de açúcar" obra do autor de que tanto ouvi bem falar. Dulce Maria Cardoso é uma autora nova no meu reportório e escolhi a sua obra por ser recente e muito elogiada se bem que as minhas expectativas não estão altas. Depois da leitura ávida de "Perguntem a Sarah Gross", peguei noutra obra de João Pinto Coelho do qual não espero nada inferior ao livro que já li. 

Abril promete. Boas leituras!

26
Mar19

Lolita

Recentemente, o meu interesse por clássicos despertou e apostei em "Lolita" de Vladimir Nabokob.

Sabia que era um livro com opiniões divergentes devido ao seu conteúdo controverso e, desempenhando um papel importante no filme "A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata" do qual gostei particularmente, decidi conhecer a sua história.

A obra desenvolve-se à volta da paixão e do desejo intenso que Humbert desenvolve por uma criança de 11 anos, Lolita (nome carinhoso pelo qual a chama). Os episódios descritos ora expõe a tentação que a pequena representa para Humbert, uma vez que este não lhe pode tocar da forma como quer, ora, já em capítulos posteriores, dão a conhecer o prazer que Humbert sente sempre que Lolita se aproxima e se encosta a ele. 

O livro é descrito como uma das mais belas obras de literatura do século XX. Muitos o designam de novela erótica, outros preferem associá-lo aos romances. Eu diria que se insere nos dois géneros. De qualquer das formas, não gostei do livro. Diria até que, exceptuando parágrafos que descrevem o contacto físico dos dois, a história é aborrecida e a escrita também. Não considero que a linguagem seja fácil e acessível. Considero-o um livro difícil que exige concentração. Por vezes, dei por mim a reler frases porque desconhecia algumas palavras. Aborreci-me tanto que, quase a chegar ao fim, abandonei a leitura. 

15
Ago18

O livro dos Baltimore

Há muito tempo que queria ler Joël Dicker. Tinha ideia que era um excelente escritor e que os seus livros tinham tido muito sucesso. Não sei bem qual foi a base para estas suposições uma vez que não me lembro de ler críticas acerca dele e das suas obras. De qualquer forma, pesquisei depois de terminar "O livro dos Baltimore". 

Após uma breve pesquisa, concluí que este não é o melhor livro de Joël Dicker. As críticas feitas a outras obras do autor são melhores e mais esfuziantes. De qualquer forma, continuam a gostar deste livro mas dizendo que não é, de todo, a melhor criação de Joël Dicker. 

Posso dizer que preferi a 1ª metade do livro à 2ª. Várias emoções passaram por mim ao longo das páginas que devorava avidamente. Ri, quase chorei e abri a boca de espanto. Não me lembro da última vez que um livro me transmitiu tais sentimentos. Senti-me envolvida na história, senti que conhecia todas as personagens e partilhei dos seus sentimentos.

É, inquestionavelmente, uma narrativa que nos prende e que nos cativa. Daqueles livros que não queremos parar de ler e que nos deixa muito ansiosos pelo seu desfecho. A analepse e a prolepse são constantes ao longo do livro. Ainda que os capítulos estejam bem definidos e devidamente datados, por vezes perdia-me no tempo histórico mas recuperava imediatamente quando iniciava o capítulo. 

Não é magnífico mas dá-nos vida e aquece-nos o coração. Mais uma vez, recomendo a sua leitura. Os outros títulos do autor estão na minha To Read List. 

Nota

Todas as imagens aqui publicadas são do Pinterest, excepto se existirem indicações contrárias.

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